Mês: Dezembro 2019

Sem barragem a montante da Aguieira será difícil travar cheias

O presidente da secção regional do Centro da Ordem dos Engenheiros defendeu que sem a construção da barragem de Girabolhos, a montante da Aguieira, cancelada em 2016, “será muito difícil” travar a repetição de cheias no Mondego.

“Sem [a barragem de] Girabolhos será muito difícil travar a repetição destes fenómenos. Temos que deixar de olhar para as barragens associadas à energia, e olhar para as barragens com todas as suas funções, de regularização, de armazenamento de água, de controlo de cheias e penso que isso vai ser cada vez mais importante no futuro”, afirmou o presidente da secção regional da Ordem dos Engenheiros, Armando Silva Afonso, que falava aos jornalistas numa conferência de imprensa na sede da delegação, em Coimbra, sobre as inundações que afetaram o Baixo Mondego.

Para o também docente de hidráulica na Universidade de Aveiro, face às alterações climáticas, Portugal tem de garantir mais eficiência hídrica, seja para armazenar água em tempo de seca seja para controlar os caudais em situações de risco de cheia, não acreditando que tal se consiga “fazer sem mais barragens”.

O especialista em hidráulica pela Ordem dos Engenheiros Alfeu Sá Marques, também presente na conferência de imprensa, realçou que a barragem de Girabolhos, projetada para uma zona que envolvia os concelhos de Gouveia, Seia, Mangualde e Nelas, adicionaria uma capacidade útil de regularização do Mondego de 245 hectómetros cúbicos de água (um hectómetro corresponde a mil milhões de litros), sendo que o rio tem neste momento uma capacidade de 365 hectómetros cúbicos, com as barragens de Fronhas, Raiva, Caldeirão e Aguieira.

Caso se adicionasse à construção da barragem de Girabolhos a edificação de outras duas barragens projetadas para o Mondego (Midões e Asse Dasse), passaria a haver uma capacidade útil de 889 hectómetros cúbicos, mais do que duplicando a capacidade atual, notou.

Com caudais cada vez mais elevados devido às alterações climáticas, Alfeu Sá Marques considera que a Barragem da Aguieira, fundamental no controlo de cheias, não “tem capacidade” para regularizar o rio.

“Cada vez mais temos que olhar para as barragens como forma de mitigar os efeitos das alterações climáticas”, salientou o docente de hidráulica na Universidade de Coimbra, referindo que na situação de seca vivida há dois anos Girabolhos poderia ter sido fundamental para assegurar água em Viseu, que teve de transportá-la desde a Barragem da Aguieira.

Alfeu Sá Marques salientou ainda o facto de a obra do Aproveitamento Hidráulico do Baixo Mondego não ter sido concluída, tendo sido executados cerca de 200 milhões de euros, mas faltam executar cerca de 40 milhões.

O presidente da secção regional da Ordem dos Engenheiros sublinhou que falta um modelo de gestão para a zona, bem como concluir uma série de infraestruturas, como é o caso do controlo do rio Ceira e a conclusão da estação de bombagem do Foja, onde era previsto haver seis bombas de extração de águas dos campos, mas apenas uma funciona.

Na ótica de Armando Silva Afonso, é necessário revisitar e redimensionar todas as infraestruturas hidráulicas, face ao previsível aumento de eventos de seca e cheias.

A barragem de Girabolhos integrava um conjunto de dez novas barragens do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico, lançadas pelo Governo de José Sócrates, mas a sua construção foi cancelada em 2016, no primeiro Governo de António Costa, quando já tinha sido concessionada à Endesa.

Numa audição parlamentar, no início deste ano, o presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, referiu que a alteração nos termos do contrato da barragem por parte do Governo “foi fatal” junto da banca e dos analistas e levou o grupo a suspender o projeto, um investimento de cerca de 500 milhões de euros, onde já tinham sido gastos cerca de 60 milhões.

Em 2016, o Ministério do Ambiente, liderado por João Matos Fernandes, justificou a decisão de cancelar Girabolhos com base em critérios jurídicos e financeiros, expectativas dos municípios abrangidos, metas das energias renováveis e descarbonização da economia portuguesa.

Os efeitos do mau tempo da semana passada, na sequência das depressões Elsa e Fabien, provocaram três mortos e deixaram 144 pessoas desalojadas, registando-se mais de 11.600 ocorrências, na maioria inundações e quedas de árvores.

O mau tempo levou também a condicionamentos na circulação rodoviária e ferroviária, danos na rede elétrica e a subida dos caudais de vários rios, provocando inundações em zonas ribeirinhas das regiões Norte e Centro, em particular no distrito de Coimbra.

No rio Mondego, a rutura de dois diques provocou cheias em Montemor-o-Velho, onde várias zonas foram evacuadas e uma grande área, incluindo muitas plantações, estradas e o Centro de Alto Rendimento, ficou submersa.

Governo recusa artificializar caudais dos rios para travar cheias no Mondego

O ministro do Ambiente disse dia 28 que não se pode “artificializar” o leito dos rios para travar cheias, estando em curso uma intervenção no rio Ceira, solução diferente da barragem proposta pela Ordem dos Engenheiros para o rio Mondego.

“A água não é só da espécie humana. A água é de todos os ecossistemas e de todas as espécies que neles vivem. E por isso, não podemos imaginar que vamos artificializar, para sempre, o leito dos rios e o seu curso”, defendeu, hoje, João Matos Fernandes, em resposta à Ordem dos Engenheiros do centro, que defende a construção da barragem de Girabolhos, a montante da Aguieira, para “travar a repetição das cheias no Mondego”.

“Regularização do caudal rio Ceira, um afluente do Mondego, em Coimbra, é a nossa aposta. Trata-se de um rio que corre livremente e que, com o apoio de fundos europeus, estamos a começar a regularizar, utilizando apenas métodos de engenharia natural. Trata-se do oposto daquilo que é fazer uma barragem e termos um rio com capacidade de diminuir afluência de caudais ao próprio rio Mondego”, explicou o governante.

João Matos Fernandes descarta, assim, a artificialização dos rios “já que há uma aposta contra as alterações climáticas”.

“É mesmo esta que deve ser a nossa ação, e não adaptar o rio ao nosso gosto e sermos, nós, espécie humana, a adaptarmo-nos e aos nossos hábitos a aquilo que os recursos têm para no dar”, concretizou o ministro do Ambiente.

João Matos Fernandes falava hoje em Torre de Moncorvo, à margem da inauguração do parque ambiental Aires Ferreira, que custou cerca de 600 mil euros e foi financiado por verbas provenientes do Fundo Baixo Sabor.

O presidente da secção regional do Centro da Ordem dos Engenheiros havia defendido que sem a construção da barragem de Girabolhos, a montante da Aguieira, cancelada em 2016, “será muito difícil” travar a repetição de cheias no Mondego.

“Sem [a barragem de] Girabolhos será muito difícil travar a repetição destes fenómenos. Temos que deixar de olhar para as barragens associadas à energia, e olhar para as barragens com todas as suas funções, de regularização, de armazenamento de água, de controlo de cheias e penso que isso vai ser cada vez mais importante no futuro”, afirmou o presidente da secção regional da Ordem dos Engenheiros, Armando Silva Afonso.

Para o também docente de hidráulica na Universidade de Aveiro, face às alterações climáticas, Portugal tem de garantir mais eficiência hídrica, seja para armazenar água em tempo de seca seja para controlar os caudais em situações de risco de cheia, não acreditando que tal se consiga “fazer sem mais barragens”.

O especialista em hidráulica pela Ordem dos Engenheiros Alfeu Sá Marques, também presente na conferência de imprensa, realçou que a barragem de Girabolhos, projetada para uma zona que envolvia os concelhos de Gouveia, Seia, Mangualde e Nelas, adicionaria uma capacidade útil de regularização do Mondego de 245 hectómetros cúbicos de água (um hectómetro corresponde a mil milhões de litros), sendo que o rio tem neste momento uma capacidade de 365 hectómetros cúbicos, com as barragens de Fronhas, Raiva, Caldeirão e Aguieira.

Caso se adicionasse à construção da barragem de Girabolhos a edificação de outras duas barragens projetadas para o Mondego (Midões e Asse Dasse), passaria a haver uma capacidade útil de 889 hectómetros cúbicos, mais do que duplicando a capacidade atual, notou.

Com caudais cada vez mais elevados devido às alterações climáticas, Alfeu Sá Marques considera que a barragem da Aguieira, fundamental no controlo de cheias, não “tem capacidade” para regularizar o rio.

Homem morre atropelado por dois automóveis no IC2, em Coimbra

Um homem morreu dia 28 vítima de atropelamento por dois automóveis no Itinerário Complementar (IC) 2 em Sargento-Mor, no concelho de Coimbra, disse fonte dos Sapadores locais.

A vítima, de 65 anos e residente em Lamego, “foi atropelada por uma viatura, acabou por ser projetada e veio a ser atropelada por outra viatura”, afirmou à agência Lusa Carlos Ferreira, chefe dos Bombeiros Sapadores de Coimbra.

O homem veio a falecer ainda no local e o corpo foi transportado para o Instituto de Medicina Legal de Coimbra.

No local, estiveram 23 operacionais e oito veículos dos Sapadores de Coimbra, dos bombeiros da Pampilhosa, da GNR e do Instituto Nacional de Emergência Médica, entre os quais duas ambulâncias e a Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Coimbra.

O IC2 chegou a estar condicionado ao trânsito, mas foi reaberto ao quilómetro 199.3, onde se deu o acidente, cerca das 18:00.

Académico de Viseu empata em Mafra em tarde inspirada de Janota

O Académico de Viseu conseguiu ontem um empate 1-1 frente ao Mafra, em jogo da 14.ª jornada da II Liga de futebol, no qual esteve em destaque o guarda-redes viseense Ricardo Janota.

O Mafra adiantou-se no marcador logo aos quatro minutos, com um golo de Joel, e o Académico empatou aos 13, num lance de infelicidade de Rúben Freitas, que marcou na própria baliza.

Com este resultado, a equipa do Mafra falhou o ‘assalto’ ao pódio isolado da prova, mas, ainda assim, divide o terceiro lugar da classificação com Leixões e Varzim, todos com 23 pontos.

O Académico de Viseu voltou a conquistar pontos, depois da derrota da última ronda frente à Oliveirense, e soma agora 19, fechando o ano de 2019 na nona posição da II Liga.

A última partida do ano no Municipal de Mafra arrancou com o golo da equipa da casa, logo aos quatro minutos, num lance de desacerto entre Janota e a defesa do Académico, em que Joel não se fez rogado e atirou para a baliza deserta, inaugurando o marcador.

Reagiu bem o Académico de Viseu, que rapidamente começou a criar perigo junto da baliza de João Godinho e, aos 13 minutos, viu retribuída a ‘prenda’ oferecida no início do encontro, com Rúben Freitas a fazer o autogolo que deu o empate aos visitantes, na sequência de um pontapé de canto.

A partida entrou depois numa fase mais ‘morna’, mas sempre com o Académico de Viseu melhor no jogo, com mais posse de bola e a criar perigo em cada contra-ataque.

Depois dos 20 minutos, Latir, num lance individual, atirou a rasar o poste e, no último lance da primeira parte, Patric desperdiçou a melhor ocasião do encontro: depois de mais um contra-ataque bem desenhado pela equipa de Rui Borges, o avançado adiantou a bola e o remate saiu já muito em cima de Godinho, que, com uma boa defesa, segurou o empate ao intervalo.

No início do segundo tempo, brilhou Ricardo Janota na baliza do Académico. O guarda redes desviou para canto uma bola que já parecia dentro da baliza e manteve o empate no marcador.

O guardião da formação de Viseu foi mesmo o destaque dos segundos 45 minutos e, aos 73, depois de uma fase menos entusiasmante da partida, voltou a brilhar entre os postes, a desviar um cabeceamento de Medeiros, quando os adeptos do Mafra já gritavam golo.

Até final, o Mafra deu tudo para chegar à vantagem, mas, com mais coração do que cabeça, a equipa de Vasco Seabra não voltou a criar uma verdadeira ocasião de perigo, não conseguindo mais do que um ponto.

Jogo no Estádio Municipal de Mafra.

Mafra – Académico de Viseu, 1-1.

Ao intervalo: 1-1.

Marcadores:

1-0, Joel, 04 minutos.

1-1, Rúben Freitas, 13 minutos (na própria baliza).

Equipas:

– Mafra: Godinho, Rúben Freitas, Juary, João Miguel, Joel, Nuno Rodrigues (Lucas Silva, 78), Cazonatti (Zé Tiago, 54), Franco, Medeiros, Paul Ayongo (Areias, 67) e Tavares.

Suplentes: Chastre, Flávio Silva, Zé Tiago, Areias, Rui Gomes, Gui Ferreira e Lucas Silva).

Treinador: Vasco Seabra.

– Académico Viseu: Janota, Yang, Steven, Mathaus, Jorge Miguel, Luisinho (Bruno, 86), Zimbabwe, João Oliveira, Patric, João Mário (Carter, 90+3) e Latyr (Fernando Ferreira, 80).

(Suplentes: Elísio, Pica, Diogo Santos, Carter, Bruno, Fernando Ferreira e Lucas).

Treinador: Rui Borges.

Árbitro: Fábio Melo (AF Porto).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Patric (35), Paul Ayongo (41), Cazonatti (50), Luisinho (70) e João Oliveira (85).

Assistência: cerca de 1000 espetadores.